Doutor Nazar
...fim de partida: final melancólico de governo!
Jacques
Lacan, o mais famoso psicanalista francês, afirma sabiamente que a melancolia –
ou seja, a não aceitação da perda do objeto mais precioso – pode ser traduzida
como uma covardia moral. Quer dizer que a máscara que protegia o indivíduo, ao
cair, deixa-o sem recursos diante dos outros. O sujeito, então, escolhe
esconder-se na tristeza, na vergonha, protegendo-se do enfrentamento da
realidade mostrada como sua verdade. A imagem arranhada funciona como um
fantasma, um algoz severo que insiste no questionamento do que antes era
apresentado.
A presidente Dilma Rousseff deveria ter
falado na cerimônia de abertura da Copa do Mundo no Brasil.
Trata-se de uma questão moral e ética!
Era seu dever tomar a palavra e falar em nome da nação que recebe as
delegações, o público, a imprensa do mundo inteiro e de nosso País. É
inadmissível que uma chefe da nação, que usou o dinheiro público para construir
doze estádios quando a própria Fifa havia dito que só necessitava de oito, não
fale no Evento de Abertura da Copa do Mundo! Isso, sem citar todas as obras caríssimas,
inacabadas, inauguradas às pressas para o Evento... O que levou a chefe da
nação a perder a oportunidade de aproveitar o ensejo para, em seu discurso,
dizer dos “benefícios” que a Copa teria trazido para seu País. Logo ela, que
nunca perde uma única oportunidade para enaltecer os feitos seus e de seu
Partido! Como interpretar essa situação, tão esdrúxula quanto paradoxal, ainda
mais num ano eleitoral?
Há uma dívida pairando no ar, pois
toda a nação e os povos estrangeiros que vêm acompanhando pela imprensa os
acontecimentos sociais e políticos da Copa no nosso País, esperavam uma palavra
da Chefe Suprema da Nação, na presença de seu povo representado, no Estádio de
Abertura da Copa, pelos torcedores e suas famílias. Como entender que o
pronunciamento, tão esperado e devido, tenha sido feito em Rede Nacional de
Rádio e Televisão, protegido do questionamentos, do olhar, e da reação do povo,
em nome do qual a nossa governante enverga seu cargo?
O povo, que paga seus impostos e
sustenta as decisões e os gastos realizados por seus representantes, tem o
direito de se manifestar diante de sua maior representante e, esta, tem
obrigação moral de enfrentar as críticas que suas ações provoquem. Se isso não
ocorre, mesmo assim, isto tem uma interpretação: covardia moral!

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